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Paulinho Rahs

Poesia Que Cura A Alma

Categoria

Crônicas e Textos

O Encontro do Homem e do Menino

Havia passado mais de um ano sem fazer a coisa que mais gostava.
Ou, pelo menos, a que melhor fazia.

O homem reencontrou o menino numa manhã abafada no interior de São Paulo.
Compartilharam um sorriso ao terem o reencontro numa sala
com o ar-condicionado no turbo, a 16º Celsius.
Afinal, nenhum dos dois nunca foi muito chegado a passar calor.

Talvez existissem muitos jeitos de esse encontro acontecer.
Geralmente era da maneira mais dolorosa: a perigosa magia da ilusão da nostalgia.
A Máquina do Tempo das Memórias e Lembranças sempre fora a mais usada.
Talvez por ser a mais óbvia, a mais automática.
Talvez por um certo instinto masoquista de gostar desses pequenos e saborosos sofrimentos.

Eles costumavam se reencontrar no passado. Sempre acabavam na discussão, no dilema e, por fim, na briga sobre o que deveria ter sido feito diferente. Mas isso nunca terminava bem.
A Máquina do Tempo das Memórias e Lembranças os permitia assistir, mas não editar o passado.
Eles insistiam em se reencontrar por lá.

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Eles riem de mim

Sim, eles riem de mim.

Apontam o dedo, julgam, ridicularizam.
Eles gargalham. Debocham, desdenham, querem me derrubar.
Querem que eu pare, que eu me entregue, que eu desista.

Eles riem de mim.

A cada vez que eu dou mais um passo buscando o que eu gosto.
Todas as vezes que eu faço algo diferente, sempre que fujo dessa palidez do mundo normal.
E dentro do meu coração sinto que estou fazendo a coisa certa, me sinto inteiro durante os momentos em que as novas ideias cruzam pelo meu pensamento e, com uma certeza ímpar, boto pra fora para o mundo ver.

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A cura da minha loucura

Acredito que a minha loucura ainda não tenha cura.
Não dependa de medicina ou um doutor pra me dizer o que é que eu preciso fazer para ser normal como os outros.

Sou assim desde criança. Me sinto diferente da maioria. Me sinto desajustado, deslocado, como se eu pertencesse a outro lugar.

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Prisioneiro da culpa

Culpa. Culpa. Culpa.

Silêncio na noite.
Só o barulho de um relógio que parece se arrastar:
Tic. Tac.
Tic…
Tac…
E eu só ouço:
Culpa. Culpa.
Culpa…
Culpa…

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Carta aberta a cada pessoa que machuquei

Eu já fiz coisas que condeno, tive atitudes que desprezo quando vejo em alguém, fui o chato da festa, o amigo ruim, o namorado tóxico, o filho ingrato.
Sim, eu fui tudo isso. E dói muito admitir.
Dói, mas admito. Demorou, mas hoje eu reconheço.

Acho que passei muito tempo em negação, vivendo em um mundinho colorido de faz de conta, ignorando meus erros e as partes mais sombrias de mim como quem passa todos os dias pelo mesmo mendigo na rua das grandes cidades e prefere fazer que não o vê.

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Quando amar é recíproco.

Você dorme ao meu lado enquanto eu dirijo voltando pra casa.
Te vejo sonhando e eu sonho acordado. Afinal, às vezes fica difícil conseguir entender se é realidade ou fantasia tudo que a vida me trouxe através de você.

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Quando eu vejo alguém jogando a vida fora

Sempre que eu vejo alguém que tem tudo pra ser feliz mas mesmo assim consegue jogar as oportunidades fora, sabe o que eu tenho vontade de fazer?
Eu tenho vontade de chegar nessa pessoa, olhar no fundo dos seus olhos e aí dar um abraço bem apertado nela e dizer:
– Eu também já fui assim!

É. E quando me dei por conta que eu era exatamente desse jeito, eu tinha vontade de me pegar pelo pescoço, me dar uns tapas na cara e falar:
– Cara, que m**** foi essa que tu andou fazendo com a tua vida?

Mas com o passar dos anos eu entendi que viver com culpa, com rancor de si mesmo, é a pior estratégia para colocar a casa em ordem.

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Acabou a minha pressa

Acabou a minha pressa.

Desde que eu consigo me lembrar, vivo correndo e com pressa.

É tudo pra agora, pra hoje.

Não. Na real é pra ontem!

Acelera aí, pô! Eu tenho que chegar logo.

Chegar logo nos 18, chegar logo na faculdade, largar logo esse curso chato, ir morar logo sozinho, viajar bastante – e logo!

Ficar rico antes dos 30, famoso até os 25, ser respeitado no máximo amanhã e bem sucedido pra hoje – custe o que custar.

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Pra você que perdeu um grande amor

Este texto é pra você que, assim como eu, perdeu um grande amor.

O chão desabou. O mundo virou de ponta-cabeça. Não existe explicação ou remédio que atenue o vazio. Se eu te disser:

– Calma, você não tá sozinho. Tem mais gente passando por isso. – sei que de nada vai adiantar.

Então, não estou aqui pra tentar mascarar a tua dor e te dizer que logo vai passar, por que isso seria mentira. Acho que o melhor que eu posso fazer é te contar a minha história. Tenho certeza que você vai se enxergar nela e entender as coisas que tô querendo te dizer.

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