Havia passado mais de um ano sem fazer a coisa que mais gostava.
Ou, pelo menos, a que melhor fazia.
O homem reencontrou o menino numa manhã abafada no interior de São Paulo.
Compartilharam um sorriso ao terem o reencontro numa sala
com o ar-condicionado no turbo, a 16º Celsius.
Afinal, nenhum dos dois nunca foi muito chegado a passar calor.
Talvez existissem muitos jeitos de esse encontro acontecer.
Geralmente era da maneira mais dolorosa: a perigosa magia da ilusão da nostalgia.
A Máquina do Tempo das Memórias e Lembranças sempre fora a mais usada.
Talvez por ser a mais óbvia, a mais automática.
Talvez por um certo instinto masoquista de gostar desses pequenos e saborosos sofrimentos.
Eles costumavam se reencontrar no passado. Sempre acabavam na discussão, no dilema e, por fim, na briga sobre o que deveria ter sido feito diferente. Mas isso nunca terminava bem.
A Máquina do Tempo das Memórias e Lembranças os permitia assistir, mas não editar o passado.
Eles insistiam em se reencontrar por lá.