Quando alguém querido se vai
quem fica se pergunta: “por que?”
Qual a razão de acontecerem
coisas dessa natureza,
que deixam na gente tristeza,
aperto e solidão?

A gente diz: “então que em paz ele descanse!”
Mas sabe que no fundo queria
nem que fosse um momento a mais.
Pra contar um problema qualquer,
falar dessa correria da vida,
uma bobagem que fosse,
mas que adiasse a despedida.

A ironia da existência é justamente essa:
a morte é a única certeza, mas mesmo assim não nos interessa.
Ninguém se prepara pra morte.
Nem pra morrer nem pra ver ela acontecer.
E quando acontece, o que resta?
Sentir somente a dor arder.

Dor de não ter feito mais,
de não ter passado junto mais um dia,
de não ter criado mais uma memória,
de não ter dito tudo que queria.

Quando alguém querido se vai,
a gente sente que perde o chão.
Sempre parece que não é verdade,
que existe um rasgo no coração.

Depois de um tempo,
passado o começo do luto,
a gente passa a focar nas boas lembranças,
as recordações viram o nosso reduto.

Um porto seguro que mantem vivo
pra sempre quem já tiver partido.
A gente não vai lembrar da cena do caixão,
mas sim de tudo que foi vivido.

Um brinde então as memórias,
aos momentos e as histórias.
E mesmo essa sombra que vem com a morte,
a ela eu desafio:
com um brinde a vida!
Pois a morte é uma passagem.
Eu acredito que tenha uma explicação.
Mas mesmo que ela não exista,
falo o que sinto no coração.

Mesmo quando o sofrimento
por cima de quem fica cai,
a dor sempre vai existir,
mas a boa lembrança se sobressai.
Então, façamos um brinde a vida que foi vivida
sempre que alguém querido se vai.

Paulinho Rahs