Quem tem boca pra falar de você,
será que tem espelho pra se enxergar?

E quem nem se importa de pelas suas costas falar,
será que tem coragem pra olhar nos teus olhos?

Quem tem dor de cotovelo
será que quando a orelha esquenta não se sente mal?

E quem diz que sempre acreditou em você
será que hidrata bem com óleo aquela cara de pau?

Quem bota o dedo na garganta
e vomita um monte de opiniões sobre a sua vida
será que lembra que tem machucados
e coloca o dedo na própria ferida?

Falando em dedo, mamãe me dizia:
– Toma cuidado com essa tua revolta!
Quem tá sempre apontando um dedo,
tem sempre três apontando de volta.

É muita gente usando dedo, garganta, boca
e na falsidade, só foca na aparência.
Se comunica com violência,
sem empatia, perderam a essência.

Eu vejo que o que falta pra essa galera
é botar uma mão na consciência.

Pra essa turma uma aula de anatomia
talvez cairia bem.
Quem conhece o próprio corpo
sabe onde dói o do outro também.
Eu sou apenas um simples poeta
não sou menos nem mais que ninguém.
Mas uma coisa eu posso dizer:
do veneno da falsidade
eu não sou refém.

Paulinho Rahs