Hoje eu acordei mais cedo que o normal. Lavei as mãos, lavei o rosto, e, ao me olhar no espelho, me deparei com uma imagem que não via há muito tempo. Era eu do outro lado, obviamente, mas eu estava diferente, como se soubesse, em sonho, que aquele dia fosse mudar o rumo da minha vida, como se soubesse que eu não havia levantado mais cedo por acaso.

Liguei o rádio no volume mais baixo – todos ainda estavam dormindo em casa. Mas o liguei na hora certa. A música que tocava era “Somos quem podemos ser”, e, naquele momento, já não havia mais como não perceber que aquele dia seria todo meu. Entre um gole e outro de café, as ondas do rádio me diziam que “o vento, às vezes, erra a direção”; e entre um gole e outro, eu concordava, me lembrando de um passado que me fez andar perdido por muito tempo antes de me encontrar.

Era uma manhã de domingo. O primeiro dia do mês. E enquanto eu ainda resgatava na memória todos os passos que me fizeram chegar até aqui, voltei a minha atenção para música, que dizia que “Quem duvida da vida, tem culpa. Quem evita a dúvida, também tem.” Naquele momento, eu já não duvidava de mais nada. Aquele domingo era o dia perfeito para manter a esperança acesa dentro de mim.

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“E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão”, e de repente eu já sabia que tinha todas as ferramentas necessárias para fazer as coisas serem exatamente como deviam ter sido quando me perdi. A resposta estava ali, dentro de mim, o tempo inteiro. Sabe lá por qual motivo eu demorei tanto para perceber. Sei que percebi e foi na hora exata, no momento mais propício, quando eu fiquei preparado para subverter minha própria existência.

A canção me paralisou enquanto tudo pareceu fazer sentido. Finalmente, vi com clareza entre o emaranhado de pensamentos que tanto me causou confusão. Agora já não havia razões para deixar para depois. Aquela exata ensolarada manhã de domingo me mostrou que as “nuvens não eram de algodão”. Mesmo assim, as chaves que abrem a prisão estavam nas minhas mãos. Sabe quando parece que alguém nos sussurra a resposta nos ouvidos? Foi o início de um momento de revolução dentro da minha alma.

No fim, para sermos quem podemos ser, é preciso acessar o que se tem de mais intenso e puro dentro de si mesmo. E foi naquela manhã que minha vida mudou para sempre. O dia em que comecei a me amar com todas as minhas forças.

 

Paulinho Rahs & Neto Alves (Ressaca Imoral)

 Postado originalmente no Jornalismo de Boteco.
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