Esse foi o último pôr do sol.
Da minha vida? Claro que não. Mas enquanto eu via o sol beijar a montanha e se esconder atrás dela, fiquei pensando: e se fosse? E se, vinte e três anos depois, essa tarde fosse a derradeira e a minha vida se encerrasse ali? Se eu colocasse essa cena na tela de um filme, isso seria um final feliz? Se eu pudesse assistir tudo que passou do início até agora, eu teria de fato realizado algo?

Tudo leva tempo. Nem tudo é sempre fácil. Construir uma história bonita leva dedicação e disciplina e, inevitavelmente, momentos ruins. Mas se eu pudesse pular direto pra parte boa, valeria a pena ter ignorado a jornada? Se tudo que eu sonho conquistar de repente batesse na porta – assim, como se eu tivesse acertado os sete números da mega sena – teria alguma graça?

Não. E se esse pôr do sol fosse a última cena do meu filme, também não teria valido a pena pagar o ingresso.

Ainda bem que não foi o último. Eu sei que a vida vai me levar lá, mas não tenho pressa de chegar, óbvio.

O que eu tenho pressa é pelo que vou fazer entre esse pôr do sol e o último que eu ver nesta vida. De hoje até lá resolvi fazer um pacto comigo mesmo.

Um pacto de disciplina, foco e intensidade. Um tratado de viver com mais leveza e com mais determinação.

Resolvi viver todos os dias como se o próximo entardecer fosse o último.

Pra quando eu deitar a cabeça no travesseiro, ir certo de que se eu não acordar no dia seguinte, serei lembrado e deixarei saudades por ter vivido e saboreado a vida como um grande pôr do sol.

 Paulinho Rahs