Você pode ler ao som de Never Gonna Leave This Bed

Éramos nós dois. Apenas nós dois. Contra o mundo, contra todos, contra tudo. E poderia ter sido muito mais. Poderia ter sido se nossas escolhas fossem outras e se nossa intenção de subestimar o tempo e a vida não fosse tão tola. “Se” isso, “se” aquilo. Agora essa palavrinha de duas letras me atormenta diariamente quando penso na perfeição do seu rosto. Primeiro tudo desacelera, pois ainda sobrou um tanto de carinho e por alguns instantes eu sinto que você ainda vai entrar pela porta. Depois uma aflição gigantesca parece apertar meu estômago, meus pulmões e meu coração, como se tudo dentro de mim fosse explodir a qualquer momento.

Dentro da minha mente há uma versão sua que me estimula, me impele, que eu não tenho forças para resistir ou controlar. Você sempre consegue me derrubar. Tudo volta a mesma. Eu te magoei, você me magoou. Quem fez o quê primeiro? A gente merece tudo isso? Você me deixa tão nervoso e eu preciso de ti para me acalmar. Busquei pelo teu riso claro, gritei pela madrugada e chamei pelo teu nome mil vezes em vão. Nada. E quando você voltou a me procurar, um tempinho atrás, quem não podia era eu. Agora que eu quero, você anda vestindo outros olhos, sorrindo para outras mãos, correndo atrás de outros sonhos. Mas e nós? Não te sobrou sequer um pouquinho de nós aí dentro?

No meu fone de ouvido toca um som que mexe muito com meus sentimentos. Parece despertar novamente tudo aquilo que eu abri mão de sentir. Queria eu ter o poder de voltar no tempo e acordar você no meio da noite para dizer que nunca mais iria deixar a sua cama. Que desespero! Na época eu fugi pois não conseguia mais aguentar e agora eu daria tudo para mais uma ou duas horas de tudo aquilo de novo. De poder bater na sua porta e saber que você abriria. De ouvir meu telefone tocar e saber que a sua foto estaria no visor. De beijar sua boca e sentir um gosto doce, de chocolate, de amor, de pureza. Éramos de sentir coisas ingênuas. Mas e não são essas as melhores coisas de se sentir? As ingenuidades, as simplicidades, as inocências, as singelezas. As coisas que as pessoas que viveram muito e sofreram demais nunca mais conseguem sentir. As coisas que eu e você já sabemos que não vamos voltar a ter em nossas mãos. Fazer o quê agora? Eu tentei muito e prefiro acreditar que não existe encaixe para peças tão diferentes.

Aí vão três verdades: Você vai ser sempre o rosto mais lindo que eu já vi na minha vida inteira. Você sempre vai descompassar meu coração toda vez que cruzar em frente ao meu olhar. E eu sempre vou guardar dentro de mim a esperança de que se antigamente não deu, quem sabe ali na frente a vida dê mais um zilhão de voltas e nos coloque frente a frente e com a chance de nos darmos mais uma chance. Enquanto isso não acontece, eu fantasio uma oportunidade de voltar no tempo e fazer tudo diferente, pois mesmo que já naquele tempo você dissesse que a gente não estava funcionando juntos, eu insistiria e diria que estava tudo perfeito. Eu ficaria e aguentaria mais um pouco. Pois hoje eu não aguento é de saudades e isso é sempre muito pior.

E sobre tudo que eu daria para ter você de volta? A resposta já está nessa frase.

 

Paulinho Rahs

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