Quase sempre, por ser assim quase egoísta, me encontro rangendo os dentes de raiva, sentindo o calor do rancor me consumindo por dentro. Esses momentos são sempre que vejo algo que lembre o teu passado, alguém que passou pela tua vida ou alguma foto dessas velhas conversas salvas que na hora a gente nunca se dá conta que vão machucar no futuro. Eu e você demoramos muito pra perceber que é legal pra caralho estarmos juntos um do outro. Você seguia esperando o príncipe encantado, montado num cavalo branco que te levaria para novos reinos. Enquanto isso eu passei um milhão de vezes cavalgando por ti, mas acabei não te vendo por levar tudo muito a sério e achar que viver com alta velocidade era a única forma possível.

Sei que não pareço mesmo com um príncipe encantado, embora o leão dentro de mim diga o contrário. Mas você no fundo nem queria nada mais do que alguém disposto a te levar na garupa pra algumas viagens emocionantes nas florestas dessa vida, certo? Se eu tivesse visto antes que você sem querer sabe mais da vida do que eu, não estaria hoje morrendo de ódio por ter quase te perdido. Meu tempo longe de ti trouxe consequências que jamais poderei apagar, a vida é bem desse jeitinho mesmo.

Me julguei sempre como alguém que sabe pra onde vai, mas você me ensinou desse jeito deliciosamente desastrado que as vezes o silêncio supera as palavras, o pé tem que ir no freio e não no acelerador e a vida não pode ser levada tão a sério. Tem horas que eu fico calado, estranho e com um ar triste. Te explico agora: são nessas horas que minhas entranhas pegam fogo, a raiva tenta me envenenar e eu deixo de ser aquele cara brincalhão que lutou pra te ver apaixonada pelos sorrisos bobos que te arrancava. Demorei tempo demais pra entender. Só agora sozinho no meio de uma metrópole, vendo uma multidão passar na minha frente e mesmo assim estar solitário consegui puxar o freio de mão. Sentar, saborear um café e perder a afobação. Refletir em silêncio sem nada pra me atrapalhar. Precisei de um amigo pra me aconselhar e descobri que aqui eu só tenho a mim e, por isso, as respostas só posso buscar pedindo ao cara que fez você se apaixonar.

Estou uns mil quilômetros distante, sabendo que não vou estar aí pra te defender.

– Mas defender de quê? – disse o cara na minha mente. – Se ela se desarmou pra ti, foi porque tu mereceu mais do que qualquer um outro.

E assim acabei de entender que quando você diz: – “Te amo” – jamais é da boca pra fora.

Vou seguir viagem assim: rindo do meu ciúme. Afinal, ciúmes pra que? Teu coração veio junto comigo.

E o meu ficou aí na tua mão.

 

Paulinho Rahs

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