Correndo. Rápido. Muito rápido.

Envelhecer é estranho, me desloca, me tira do eixo. Sim, envelhecer. Coisa que eu achava que era pra velho falar a respeito. Você sabe, me refiro a velho mesmo: pessoas de idade, cabelos brancos, pegando netos no colo. Não. Envelhecer é diariamente. É pra mim, é pra ti, é pra todo mundo. Hoje, mais cedo, caí na besteira de abrir uma pasta com antigas fotos de anos atrás. Mas… Anos? Parece que foi ontem!Agora há pouco encontrei os mesmos amigos que estavam comigo naquelas ocasiões. Cara, a gente envelheceu. Meu deus do céu! Como isso me assusta… Tá complicado aceitar que o futuro que eu via tão distante é o agora faz muito tempo. Tá complicado entender que sequer sou a mesma pessoa. O que eu diria se na época pudesse ver as coisas com a clareza que vejo hoje. É bizarro. Meu caminho seria completamente oposto e isso implicaria num efeito dominó que mudaria tudo. Se eu tivesse o poder de mudar… Não. Melhor não.

Enlouquecendo. Confuso. Muito confuso.

Meus amigos podem pegar o seu próprio carro pra gente sair, mas mesmo assim a gente se vê menos do que quando dependia dos pais. Todo mundo tem seu trabalho, sua faculdade, está construindo sua vida. Que? Meus pais já não saem tanto, meus avós não pareciam ser tão velhinhos, eu vejo o mundo com menos misticismo. Já estou namorando há mais tempo que parece, ir pro bar é normal. Falar de política, economia, vida e planos não parece tão difícil. As notícias de atentados e catástrofes me chocam mais que antigamente. Sério que eu já sou adulto? Já não consigo contar nos dedos as pessoas que eu conhecia e que não fazem mais parte deste mundo. Amigos de escola, ídolos de infância, artistas da televisão. As pessoas morrem mesmo e a morte parece ser uma coisa tão repentina… No mesmo futebol de toda semana vejo companheiros que perderam os seus pais recentemente. Porra, essa é a minha galera! Podia ser comigo, então???

Medo. Realidade. Muita realidade.

Vou confessar uma coisa que vem martelando na minha cabeça ultimamente. Eu sempre senti, desde criança, um senso de urgência. É como se algo me dissesse que eu preciso fazer tudo logo, pra hoje, sem demora. Sempre diagnosticaram isso como ansiedade, falaram que eu era um adolescente impaciente, que eu precisava aprender a esperar. Me disseram que a vida ia me ensinar que é preciso planejar as coisas lá pra frente enquanto, em contrapartida, essa ideia nunca me parecia soar bem. Eu me esforço até hoje para entender essa lógica e ser racional para aceitar que isso faz sentido mesmo. Mas lá no fundo do peito o sentimento não muda. Parece que o meu relógio pulsa em contagem regressiva. Parece que eu vou conseguir tudo que quero, porém preciso agir rápido. Enquanto vejo as pessoas se perguntando:

– Será que vai dar certo?

Eu só consigo me perguntar:

– Será que vai dar tempo?

Eu não tenho medo de morrer. Tenho medo é de envelhecer. Isso sim me dá calafrios, mexe com meu emocional, me atira na depressão. Tento me imaginar velho, vendo todo mundo que conheci no começo da jornada partir, sentindo dores no corpo, não podendo comer, beber ou fazer o que eu quero sem encarar uma consequência severa a curto prazo. É o normal, é a vida, foi assim que me disseram. Acontece que simplesmente não consigo me imaginar velho. Sempre que me vejo no futuro, com os louros da conquista dos sonhos distantes, me vejo não muito diferente de hoje. Parece que meu tempo é curto, mas não curto como o de todo mundo. Eu não consigo enxergar a mim mesmo numa idade avançada, cumprindo o ciclo natural.

Dentro de mim há uma estranha certeza que nasci pra ser jovem. Correndo. Rápido. Muito rápido.

Com tanta coisa para conquistar, eu não tenho medo de morrer. A qualquer momento tudo vai deslanchar, tudo vai vir me encontrar.

Meu tempo está se esgotando. Eu não nasci para envelhecer.

 

Paulinho Rahs

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