“É que quem ama não desiste!”
dizia uma postagem dessas páginas de frases tristes
que eu seguia na rede social.

Deixei até de seguir pois aquilo tudo me fez mal.
Eu demorei muito pra entender
que a verdade de uns às vezes não se encaixa na realidade dos outros.
Como que quem ama não desiste?

Desistir, muitas vezes, é um ato de amor.
Me lembro da história daquele senhor
que passou a vida inteira esperando
o seu amor regressar.
Mas ela nunca voltou.
E quando o tempo dele acabou
a única coisa que lhe restou
foi se arrepender do amor
que ele deixou de espalhar.

Eu mesmo amei muito alguém
e jurei que nunca ia desistir.
Que eu ia conseguir
fazer aquela pessoa enxergar.
Afinal uma história que envolva um sentimento assim
só tem um jeito de acabar:
com os dois juntos.
Com o felizes para sempre.
Com a reviravolta quando ninguém esperava.
Ao menos era isso que eu pensava.

Acontece que a vida real não toca nesse tom.
Acontece muito de os corações não sintonizarem no mesmo som.
Acontece. Acontece muito, eu te digo.
Desistir de um amor foi o maior gesto de consideração própria
que eu pude fazer comigo.

“Ai, não! Quem ama não desiste…”
Sim, quem ama desiste.
Quando amar só machuca um dos dois lados,
quando amar se torna obsessão com o passado,
quando a gente começa a em nome desse amor cruzar a linha do que é certo e do que é errado.
Quem ama desiste.
Quando não existe reciprocidade,
se vira rotina a falta de verdade,
quando acaba a cumplicidade.
Quem ama desiste.
Se te prejudica a saúde mental,
se deixou de ser algo especial
ou já não faz mais bem – só faz mal.
Quem ama desiste, sim.

Por isso neste poema
deixo aqui o meu clamor:
desista do amor!
Desista, desapegue, se desafogue.
Se ele virar um jogo, não jogue.
Se recuse a entrar em campo.
Se virar uma corrida de gato e rato,
se for pra ficar quebrando os pratos,
se for pra ficar nos cantos aos prantos.
Desista do amor.
Se em vez de leve for um filme de terror.
Se em vez de calmo for uma tempestade.
Se você viver lembrando do passado morrendo de saudade
que droga de presente é esse?

Queime as fotos, apague as conversas,
bloqueie, não ligue, não atenda.
Não se renda a essa tolice
que espalham por aí
de que quem ama não desiste.

Nunca desista de amar,
mas esteja pronto para desistir de um amor.
Sempre que esse amor
for uma pedra no sapato,
cometa esse ato
do chamado amor próprio:
desista.

Sempre vai existir alguém
disposto a te dar
o valor que você merece.
E se não for quem você queria,
é da vida, isso acontece.

Siga em frente, toque o barco.
Só não viva uma vida triste
se agarrando na bobagem
de quem ama não desiste.

Paulinho Rahs