Não que eu não esteja feliz com as coisas que eu tenho, mas às vezes me pego sonhando com coisas diferentes. É muito maluco: o que era muito, agora é muito pouco. Por que será que a gente tem a mania de valorizar mais aquilo que não é nosso?

Sabe, é aquela história: antes de ter é grande.
Enquanto tem, é pequeno.
Depois que perdeu, é gigante.

Eu não quero ter que perder nada para começar a valorizar, mas o que que eu posso fazer se esse sentimento de querer o que não me pertence nunca vai embora?

Sempre digo que a gente pode até controlar o que diz, porém o que a gente sente é impossível. E embora eu tenha constantemente dito que sou grato, que estou satisfeito e feliz com o que tenho até agora, simplesmente tem sido impossível controlar esse impulso de desejar mais.

Talvez ter sufocado o passado e deixar ele inacabado não tenha realmente sido uma boa ideia. O gênio aqui achou que passar por cima dos sentimentos e dos processos seria suficiente para eles jamais voltarem. Então, aí vai uma dica: não enterre sentimentos vivos. Eles arrebentam a cova e sempre voltam para te assombrar.

E agora? Agora eu sei lá!

Viver assombrado pelas coisas que eu deixei inacabadas talvez seja mesmo o meu destino.

Paulinho Rahs