Por certo tempo me abriguei na solidão que acabou sendo a única companhia dentro da escuridão em fiquei sem teu brilho. Dias e noites perderam qualquer sentido que poderiam ter para mim. Planos e projetos do futuro simplesmente desabaram como se houvessem roubado uma das cartas de base que construía um castelo frágil de um baralho comum.

Você foi embora como quem não gosta de despedidas, mesmo eu sendo uma dessas pessoas. Virou as costas para tudo aquilo que eu acreditava. Faltou um adeus que, na minha visão, seria um último fio de ligação que manteria a gente conectado mesmo com um ponto final teimosamente colocado na nossa história.

As coisas não foram mesmo como planejei, o que poderia ser feito? E todo o ódio que eu deveria sentir por você, acabei sentindo por mim. Na realidade é impossível ao meu coração que eu queira sentir algo por você que não seja uma paixão incandescente, feroz e vertiginosa. Foi por esse tipo de coisa que descontei em mim mesmo tudo aquilo que era para ter explodido e implodiu. Foram excessos e mais excessos, porres e desleixos, buscas rasas e sem sentido.

Quando percebi o estrago todo que havia feito, foi mais difícil ainda. Me dei por conta de como andava no caminho errado num momento qualquer, enquanto as luzes estavam apagadas, ao fim de uma noite que parecia não acabar nunca mais. Parece que eu enxergava dentro de mim: era uma bagunça enorme aquele espaço em que me encontrava. Foi quando tomei coragem de enfrentar cara a cara meus demônios. Decidi que era preciso pôr em ordem tudo aquilo e começar de novo. Precisei reciclar muita coisa que me parecia lixo. Energias que ainda puderam ser transformadas, eu fiz com toda a dedicação. O que não podia ser perdoado ou apenas restava quebrado em mim, simplesmente descartei. Decidi esquecer e deixar para trás de uma vez por todas.

Carinhosamente juntei tudo o que me servia, aquilo que havia tomado como lição e me livrei do resto que era apenas um acumulado de entulhos no meio da operação. Quando finalmente me deparei com um espaço quase que vazio pude sentir um alivio de quem arduamente conseguiu cumprir parte da missão.

Redescobri um novo lugar em mim quando dei espaço para tudo que era velho sair.

A solidão me abrigou em preto e branco, e a partir dela novas cores apareceram para eu pintar meus sonhos. Recomecei e desta vez foi do jeito certo.

 

Paulinho Rahs & Thai Merelin

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