Leia ao som de Time To Pretend

É agora ou nunca.
Caramba, mas é sempre agora ou nunca. Eu não aguento mais essa saudade do passado. Todos os dias eu sinto falta de algo da escola, dos amigos que já partiram, dos amores que nunca mais voltarão ou de quem eu já fui. É um círculo vicioso, uma eterna vontade de voltar que não acaba nunca. Sempre há algo que parece que era mais fácil ou melhor há pouco tempo atrás. Talvez seja mesmo verdade que crescer e envelhecer é uma droga, mas disso eu sempre soube. Dentre todos os meus desejos mais profundos, ser jovem para sempre é o mais forte de todos. 

Teve um ano desses que acabou e eu esbravejei:

– Mas que droga de ano!

Aí hoje eu olho uma meia dúzia de fotos daquela época e sinto uma vontade absurdamente extenuante de voltar para lá. Será que vou falar de hoje da mesma forma no futuro? Tenho quase certeza que sim. Por essa razão resolvi mudar meu jeito de viver e encarar a vida. Se o passado não volta, vou fazer com que hoje seja muito melhor. Que eu morra sim de saudade, vontade de voltar e agonia por não poder. Mas que seja amanhã.

É assim, né. A gente deixa de fazer tanta coisa por medo do que os outros vão pensar. A gente tende a botar tanto defeito em quem tá dando a cara a tapa que vamos engavetando sonho sobre sonho pra não repetirem isso conosco. Vai que alguém ri da gente, não é mesmo? E daí acaba que o tempo passa. Nós nunca tatuamos aquele desenho maluco, nunca vamos até a praia seminus. Nunca fazemos os vídeos para postar na internet, nem aprendemos a cozinhar ou assumimos ser fã de Guns and Roses ao mesmo tempo que do Gusttavo Lima. Nessa toada, nós nunca diremos “eu te amo” na frente de todo mundo, nunca vamos dançar em público, nunca vamos assumir que mudamos de ideia e jamais vamos nos lixar para o que vão dizer se nos relacionarmos com quem a gente bem entender. Não se continuarmos com essa autocensura, com falta de coragem para aguentar o tranco. Me diz aí, a opinião das outras pessoas deveria ser suficiente para diminuir os seus sonhos? Talvez por isso o passado pareça tão melhor.

Que a vontade de voltar seja apenas momentânea. Seja apenas um gostinho bom, para sentir por segundos e depois acordar pra vida real. Que a gente use isso apenas como certificado de que fizemos a coisa certa antes.

Pois agora? Ah, agora… É tempo de fingir. Fingir que nada importa, a não ser nossa própria vontade. Fingir que não temos vergonha de absolutamente nada. Nenhum julgamento, opinião ou print screen em grupo.

Finja! Finja que você pode fazer tudo que quiser. Até chegar a hora que você vai acabar acreditando nisso.

 

Paulinho Rahs

 

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