Querendo me refazer, precisando me desfazer, sem nada para fazer, sem mais o que dizer.

As coisas implodem dentro de mim em contraste com a monotonia dos dias entediantes que aparecem de vez em quando. Hoje acordei assim, meio na deprê, sem entender o motivo. Quanto mais eu externo meu lado simpático e radiante, mais compro briga com minhas necessidades de chorar como todo mundo. Parece que nunca demonstrar fraqueza tem um alto preço que é pago no silêncio da solidão quando não há mais ninguém por perto. Cada vez mais me convenço que sou meu maior inimigo. Euforia e depressão, viver nos extremos tem sido cansativo. Ok, fuck it all: eu não nasci para ser morno. Meu negócio é queimar ou congelar. Eu sempre fui mais montanha-russa que roda gigante. Portanto, quem vier comigo pode ter certeza de que vou fazer as coisas terem mais cor, mais vida, mais graça. Só vai complicar quando a chave virar, o turno inverter, o café acabar. Será que eu sou um fake na minha própria personalidade? Parece que sempre tem que ter algo pra me deixar ativo. Parece que sempre que a noite acaba é uma melancolia de estimação chegando, uma tragédia anunciada. Tenho certeza que nunca vou compreender o motivo das coisas serem finitas. Todo final me arrepia…

Quem é você? Quem somos nós? Queimadura de terceiro grau. Armadura de guerreiro imortal.

Meu medo de fim deve se explicar em tantos recomeços. Cada erro vira desastre pelo simples fato de que eu não tenho interesse em cicatrizes. Eu sempre sonhei com uma perfeição improvável, insana, intangível. Estou indo de um lado pro outro, procurando palavras em sonhos distantes. Tem tanta coisa que eu faria diferente se desse pra voltar atrás. Tem tanta gente que eu teria evitado se eu imaginasse que nem todo mundo é igual a gente. Os preços parcelados da vida do sonhador… Chega a ser engraçado o quanto é caro viver numa ingenuidade barata. Mas não procure arrependimento aqui. Tenho mesmo é orgulho de ter tentado na base do acreditar.

Frases desconexas. Conexões perplexas. Perfume de amor antigo. Amores de um ser sofrido.

Tudo que vai e volta, tudo que leva e trás. Queria ter sido mais forte, mais compenetrado, mais estúpido até. Resoluto na ideia da conquista, intocável para as agressões, moldado para não mudar. Hoje me encontro mergulhado nessas agonias porque fui mudando e já não sei quem sou. Me deixei levar pela onda e já não encontro mais chão. Arrependido, jamais. Essa é a vida meus amigos: a gente tenta, atira no escuro, vive o presente.

De repente o futuro envelheceu: agora é tarde demais.

 

Paulinho Rahs

Me siga nas redes: Instagram | Facebook | Twitter | Snapchat: @PaulinhoRahs

 

Anúncios