Hoje é meu aniversário.
É pra comemorar?
Olha, vou te confessar:
esse final de semana eu conversava com um amigo
que passou a vida inteira comigo,
conheço desde que eu aprendi a falar.
E como tem sido cada vez mais inevitável
falamos de idade, do tempo
que tá passando mais rápido a cada dia
e também da melancolia
de saber que não somos mais tão jovens.

Esse amigo meu hoje tá praticamente casado,
quase uma década com a mesma menina
e a primeira noite que eles passaram juntos
foi no quarto de visita da minha casa.

A gente era adolescente,
com a vida inteira pela frente
e tínhamos um hábito incrível
de não ficar pensando no futuro.
Era só o presente.
Passado, tinha pouco também pra relembrar.
O que gente fazia era viver,
sem consequência pra pensar.

Eu sei, a vida adulta nos obriga a mudar.
Mas hoje eu e esse amigo
estamos mais perto da velhice
do que do dia em que nos conhecemos.

É claro, sou feliz pelo o que vivemos.
Mas é que passou tão rápido até aqui
e me assusta, de verdade, pensar no que vem a seguir.

Eu sempre achei que eu seria jovem para sempre.
Talvez a minha alma conserve esse espírito jovial
mas meu espelho não mente
e nem aquele fio branco na minha barba
que apareceu no último Natal.

Contei tudo isso pra ilustrar
que a única certeza é que o tempo vai passar.
Então, no seu próximo aniversário
não fique pensando no calendário.
Faça o que eu vou fazer hoje:
eu não queria ficar velho.
Mas já que eu estou ficando
é melhor ficar comemorando.
Um brinde. À vida.
À jornada.
E ao tempo que nunca mais vai voltar.

Paulinho Rahs