“Você não tem medo de cair?”
Me perguntaram, sobre meu jeito.
“Você tá sempre com um sonho ardendo no peito,
mas como você lida com a frustração?”

Pensei sobre essa situação:
parece que sonhar grande assusta.
As pessoas ao meu redor vivem me dizendo
pra eu colocar o pé no freio
como se houvesse um meio de eu fazer isso.

Ah, vou te contar.
Não sei se isso é hábito, instinto ou eu sou somente viciado.
Mas é que pra mim não tem outro lado,
é só o caminho da intensidade.
Sou intenso na vontade,
na paixão, na glória e claro, na frustração.

Mas frustração que eu falo é aquela reação logo após um machucado.
Que dói, mas não dura.
Que arde, mas se cura
rápido como um cortezinho com uma faquinha de serra.
A ferida abre e depois cerra.
E a gente segue por que eu sei que o fracasso é degrau.

Fracassos são passos. São professores da escola do caminho.
Por isso me sinto sozinho quando perguntam
“Mas e se você se frustrar?”
Como a me dizerem que é melhor não sonhar
pelo medo da dor de ver que talvez não dê.

É que deixa eu explicar pra você:
no meu dicionário desistir nem existe.
Não quando o verbo é sonhar.
Desisto de muitas coisas
quando vejo que preciso reajustar a rota.
Mas da jornada de sonhador, não existe desistência.

Na ditadura que esmaga os sonhos
eu sou a resistência.

Paulinho Rahs