De tantas cartas que já escrevi para amores,
essa eu escrevo pra mim.
Escrevo justamente para reler em um dia ruim.
Quando tudo parecer desmoronar
e nada mais fizer sentido
eu quero, somente, ler isso
pra não ficar perdido.

Que eu jamais esqueça
as razões da minha jornada.
Que eu relembre
sempre que estiver cansado
do que me espera
quando eu cruzar a linha de chegada.

Que quando me atirarem pedras
eu me defenda, mas não contra ataque.
Que eu use a minha energia
lembrando sempre do “tique-taque”,
o relógio, que representa o tempo.
O tempo curto e passageiro da vida.

Que eu use, mesmo os dias ruins,
em prol de dar mais um passo.
Que eu lembre que há consequência
pra tudo aquilo que eu faço.

E quando eu estiver confuso
eu relembre que
apesar de todo mal,
não me deixe levar pela onda
e me seduzir pela ideia de ser “normal”.

Num mundo em que normal é ser ruim,
negativo e fazer o mal,
que eu possa sempre saber
que eu sou, sim, especial.

Paulinho Rahs