Esta não é uma história fácil de digerir. Já vou avisando antes pra ninguém pensar que vai encontrar nos meus sentimentos expelidos algum tipo de conforto. Estas palavras que vou dizendo sem pressa, entre um gole e outro de amargas lembranças, possuem a acidez contida nos restos de rancor e raiva que ficaram aqui nas minhas entranhas. Não sou mais nem 1% de quem eu era, porém, ainda tenho esperança de me encontrar no fundo de uma dessas garrafas que tenho bebido pelas noites num desespero sem fim. E você? Não. Não bebo pra te encontrar. Tampouco eu bebo pra te esquecer. Apenas pretendo voltar à realidade com outra percepção. No momento estou preso e trancafiado, como num filme de terror, ligado num eterno ‘repeat’ das suas imagens me destratando.

Será que quando você lembra de mim existe algo bom que te desperte ao menos a sombra de um sorriso? Não é possível que seu veneno seja assim tão peçonhento. Com uma tremenda cara de pau me olha e diz que dispensa falsidade. Existe alguém mais falsário que você? Que falava pelas minhas costas, me achava insuficiente e ainda assim via em mim uma oportunidade de se agarrar em algo. Agora que você caia. Vá ao chão, desça ao inferno da solidão e descubra que perdeu – ao me perder – a chance de se recuperar dessa sua maldade impregnada.

Hoje ninguém me reconhece mais. Me tornei um zumbi ambulante, que vaga pelas noites e se entoca durante do dia. Meus amigos e familiares sei que andaram preocupados.

– Mas o que aconteceu com ele?

Aconteceu que me entreguei demais e achei que outro alguém era a minha vida. Aconteceu que fui bobo demais pensando que o amor poderia ser tudo, sem lembrar que o amor nos tira tudo e nos transforma em nada. Um pouco mais adiante no lento passar dos dias, fui vendo que é ridículo eu me apegar nos seus pensamentos e palavras sem sentido. As coisas podem voltar e nos confundir, mas só depende de nós. Eu fiz a minha escolha: Juntar os destroços dessa horrenda explosão e recomeçar. Sair dessa fuligem para algum lugar colorido, como meus olhos e coração costumavam ser.

Que grande ironia as coisas têm! Você partiu me levando a ingenuidade mas a sua inocência ainda é minha. O seu orgulho nos destruiu, a diferença é que eu ainda estou tentando me reerguer.

 

Paulinho Rahs

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