Pensamentos absurdos rondam a minha mente. Um misto de saudade do que passou e vontade de voltar ao tempo em que nada nos dividia. Há três ou quatro outonos atrás meus objetivos eram distantes, contudo eu – sempre enamorado por novas conquistas – fui buscando um a um até realizar todos que estiveram ao meu alcance. Alguns não foram possíveis, aprendi com a maturidade e o passar dos anos que nem tudo depende só da gente. E quando depende dos outros, simplesmente o furo é um pouquinho mais embaixo. Aceitar. Tá aí algo que precisei aprender pra viver numa boa.

Das coisas que conquistei, chega a ser engraçado de contar a respeito: O que era muito se tornou muito pouco em um piscar de olhos. O distante se tornava aquém conforme os objetivos eram cumpridos. Então, nos meus olhos, era apenas mais e mais. O dobro virou metade, o legal acabou ficando monótono e o meu velho coração viajante foi quem mais sofreu com esse vício. Essa coisa humana de nunca estar satisfeito e sempre querendo o que não se pode ter no momento é mesmo muito maluca. Me complico pra tentar entender mesmo aquilo que se passa dentro de mim. Às vezes parece que o furacão daqui sopra mais forte do que lá fora, com tanta gente maluca e obsessiva. Conheci pessoas e amores, cansei de me apaixonar. Porém – até hoje! – sempre que começo a viver dentro de alguém, me falta ar pra respirar. Sou muito livre pra pertencer a qualquer lugar e um verdadeiro “bicho solto” que não entende, no fundo, esse negócio de ter que viver preso dentro de uma coisa tão minúscula como um coração. Meu jeito excêntrico me bota contra a parede quando confronta meu jeito apegado. Sinto-me como se fosse dois, partido ao meio, que entrega as chaves do próprio coração com as mãos ao passo que sai correndo com as pernas.

Olho pro mundo e flerto com a possibilidade de ele me pertencer. Sonho com amizades, paixões, experiências, profissões, conhecimentos e conquista que eu poderia muito bem ter.

– Por que não jogar tudo pro alto e ir atrás do que meus instintos pedem nesse momento?

Porque momento passa rápido demais. É preciso ter base sólida para as escolhas que moldam a nossa vida.

– Por que?

Paro pra pensar em demasiado nessa pergunta. Por fim, sempre acabo desistindo. Se eu pensar um pouco a mais sobre esse assunto é capaz do meu lado aventureiro pender pra mais uma.

Certa vez eu já fiz isso e foi a melhor coisa que me aconteceu. Todas as escolhas vindas disso me trouxeram até quem sou hoje.

Eis uma questão impertinente me perseguindo: Eu gosto mais de quem sou hoje ou de quem posso me tornar ao correr os riscos de jogar tudo pro alto?

Maldita mania de se querer sempre o que não se pode ter.

 

Paulinho Rahs

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