Poucas vezes na minha vida estive tão confuso. As coisas não são como já foram outrora e eu passo incontáveis horas tentando entender se estou indo para onde realmente deveria. Me tira o sono à noite e a concentração de dia a sensação de que a vida já foi melhor e que meus planos para hoje eram bem diferentes.
Hoje vejo toda a minha ingenuidade e que aquela pureza de sonhar com força máxima se esvaiu. Hoje uma onda avassaladora de “pé no chão” me arrastou de volta para a realidade. A tal “crise dos vinte e poucos” me pegou mais cedo que o esperado e isso tem me deixado vagando sem rumo, olhando para o teto do quarto, num estado de incerteza. Será que eu estou fazendo as coisas do jeito certo?

Eis que olho ao redor e vejo, como diz a canção, gente demais, com tempo demais, falando demais, alto demais. Querendo provar seu ponto por toda lei. Discutindo e afirmando frases imperativas e cheias de razão. Gente que parece estar com o norte em todas as coisas, que não se abre para um diálogo, para quem sabe mudar de opinião. Seguindo um caminho retilíneo, premeditado, ainda que mal pensado.
Vejo gente certa de tudo, mas certa em quase nada. Que vê nos seus conceitos a pura verdade, a única opção possível, andando de mãos dadas com a intolerância e criando inimigos que portem a bandeira do ‘pensar diferente’.
Enquanto isso eu aqui, me perdendo em dúvidas, querendo arriscar de tudo um pouco. Como uma metamorfose ambulante, perambulando pelas chances que aparecem. Errando muito, me dando por conta e pedindo desculpa. Recalculando a rota, mudando quem sou e avaliando meus sonhos.
Não consigo engolir essa gente que tem muita certeza.
Por isso te digo: desconfie deles. E nunca, mas nunca mesmo, meu irmão, perca a sua essência de ter muitas perguntas a responder. Quem acha que sabe demais, está é perdido na cegueira.
Dedico esse texto aos que tem dúvidas. Vocês estão certos.

 

Paulinho Rahs

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