Tem vezes que me pego triste sem nem saber o motivo. Consegue entender uma coisa dessas? Buscar alguma coisa a mais que nem eu sei direito o que é, querer a aprovação de pessoas que nem fazem parte da minha história. Parece que sempre falta alguma coisa e eu nunca consigo saber direito a razão disso.

Esse negócio de estar feliz e, um segundo depois, ficar triste do nada tem consumido a minha existência. O problema todo é que essa tristeza repentina se tornou tão comum que eu tô sempre em estado de alerta, com medo de tudo. Eu sei que a alegria pode até vir, mas a qualquer momento a melancolia vai me abraçar.

Dentro de mim é uma verdadeira bagunça. Eu tô bem, tô de boa – me convenço que não tenho motivos para não estar feliz. Mas aí do nada algo começa a martelar na minha cabeça, como uma voz que relembra minhas preocupações e pavores. Essa voz destrói os meus dias e arruína todas as minhas pequenas alegrias.

Eu gostaria de ser diferente. Queria ser de verdade o que as pessoas veem em mim: alguém feliz e alto astral. Só que por dentro não é nada disso. Meu sorriso esconde por trás uma série de nós na garganta e choro engolido. Meu olhar guarda ansiedade e depressão. Não consigo curtir o momento por estar sempre preso no medo do futuro.

Assim, sigo em frente. Hoje meu maior desejo não é nem riqueza ou felicidade, bens ou um amor verdadeiro. Meu desejo é somente que essa tristeza vá para bem longe e pare de me sabotar. Minha maior vontade era parar de ficar triste do nada ou, pelo menos, que esses sentimentos ruins parassem de aparecer sem aviso e sem freio.

Paulinho Rahs