Leia ao som de Natural – Imagine Dragons

Sim, eles riem de mim. Apontam o dedo, julgam, ridicularizam.
Eles gargalham. Debocham, desdenham, querem me derrubar.
Querem que eu pare, que eu me entregue, que eu desista.

Eles riem de mim.

A cada vez que eu dou mais um passo buscando o que eu gosto.
Todas as vezes que eu faço algo diferente, sempre que fujo dessa palidez do mundo normal.
E dentro do meu coração sinto que estou fazendo a coisa certa, me sinto inteiro durante os momentos em que as novas ideias cruzam pelo meu pensamento e, com uma certeza ímpar, boto pra fora para o mundo ver.

Gravo, edito, posto.
Milito, debato, discuto.
Opino, escrevo, respondo.

Simpatizo e até recebo simpatia.
Sei que tem gente que admira o meu trabalho, mesmo que de longe ou sem comprar as minhas brigas.
Mesmo sem precisar me dizer falar nada a respeito.

Mas eles? Eles riem de mim.
Nas rodinhas, nos grupos, nos compartilhamentos, nos posts.
Pelas costas, pelas ruas, pelos meus experimentos, pelas minhas tentativas.

E eu sinto os cortes.
No escuro, sangro.
Na solidão, penso em parar.

Durmo triste, acordo mais ou menos.
Será que tento de novo?
E tento por mais um dia. Mais um dia em que eles riem de mim.

Mas eu sigo o meu trabalho. Vou adiante no que acredito. Em mim vai se criando uma casca que serve de armadura contra esse veneno todo. Vou descobrindo que não preciso receber pancada por nada.
Se eles querem bater, deixa que batam. É só eu não aceitar apanhar.
Entende? Entendo.
Entendo que só machuca se eu deixar.
Receber crítica construtiva de quem nunca construiu nada não tá é mesmo com nada.

E eu sigo. E eles? Ah, eles…

Eles riem de mim.
Por fora eles que riem de mim.

Por dentro eu estou rindo deles.

 
Paulinho Rahs