Leia ao som de Fall Away – Twenty One Pilots

Hoje eu conheci o medo.

Falo de pavor mesmo, de não ter ideia do que vem pela frente, de sentir o estômago embrulhado e o frio cruzando na espinha.
Confesso a vocês que o que passa na minha cabeça agora são as oportunidades perdidas. A gente só se dá conta de como as coisas simples são as mais importantes na vida quando perdemos alguma delas. A coisa é mais simples do que a gente imagina, amigos. Sem demagogia ou discurso para ganhar likes. As melhores coisas da vida – ou pelo menos as que realmente valem a pena – são as mais simples e que não se compram, não são materiais.

Se você tem alguém que ama você de verdade, por exemplo. Parece bobo, banal, normal. E é incrível e estúpido saber que a gente só dá o valor real a isso quando nos vemos de frente com o medo de perder este amor.
A gente só lembra de como é bom ter saúde quando estamos com alguma dor, algum problema mais grave. Quando se marca a consulta no médico e sente-se o pavor por não saber o que pode estar nos esperando quando cruzarmos aquela porta é que vem na mente a lembrança de rezar e pedir aos céus que não seja nada grave, que se possa seguir em frente com a vida. O duro é lembrar de ter agradecido todos os outros dias pelo simples fato de estarmos respirando, vivos e sem nenhum desconforto maior.

O medo de perder é o maior medo que pode existir. É o mais cruel, mais desolador e gelado. A incerteza de não termos mais aquilo que nos faz ser quem somos. O que seria de você se perdesse o que realmente é a sua essência? Eu não tenho tanto medo de morrer quanto tenho medo de perder as pequenas coisas que fazem de mim um ser tão feliz e confiante. Se eu perdesse a confiança dos meus pais ou a genuína paixão do meu amor. Se eu perdesse a lealdade dos meus companheiros mais próximos ou perdesse a minha saúde que me permite completar as tarefas mais básicas. Qualquer uma dessas coisas seria mil vezes pior que perder todo o dinheiro do mundo, perder qualquer posse ou bem material não cruza nem perto do medo de perder tudo isso.

E se meus dias chegarem próximos do fim, só gostaria de ter feito as coisas diferentes. Gostaria de ter tido mais cuidado. Com meu amor, com meus pais, com meus melhores amigos e comigo mesmo. E o resto na vida não tem a menor importância. Apenas mais cuidado. Com as palavras, os gestos, e principalmente as ações, que sejam quem sentenciam quem você é.

E as minhas ações só me tornam culpado. Alguém que sempre se disse corajoso, mas hoje só tem medo de desaparecer.

 

Paulinho Rahs

 

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