Para ler ao som de In The End.

Eu sou uma bomba relógio. Sou um risco para aqueles que vivem perto de mim. Sempre vai haver uma nova explosão que vai deixar todo mundo em pedaços. Eu sairia de perto de mim se pudesse e não consigo entender a razão daqueles que o podem fazer, não fazerem. Deve ser porque me amam. Eu também amo cada uma das pessoas que mesmo sabendo que eu estou sempre prestes a machucar todos, não arredam o pé da minha vida. Queria poder retribuí-los da mesma forma. Eu deveria, para isso, fazer dez vezes mais esforço por essas pessoas, pois realmente eu imagino o quanto é difícil me aturar, me amar, cuidar de mim, não desistir quando essa é a escolha natural. Eu tenho muita admiração pelas pessoas que ficam comigo. Meus amigos, amores e familiares tem uma missão quase impossível quando se trata de mim. Sinceramente eu queria ser diferente, do fundo do coração isso é o que eu mais vou tentar, mas será que eu tenho jeito?

Rezo que sim. Com as bobagens recentes que eu fiz e falei, começa a ficar muito difícil segurar todo mundo. Mesmo os sentimentos mais puros, como o amor e a admiração, quando são quebrados múltiplas vezes, vão ficando difíceis de voltar ao que eram. A sujeira começa a se impregnar e nunca mais a coisa volta a brilhar como antes. Caramba, estou morrendo de medo. Não quero perder ninguém, contudo eu sou meu maior inimigo. Eu consigo fazer o inimaginável. Eu tenho o dom de errar quando é fácil acertar e parece que é sempre assim. Mas que droga eu estou fazendo com a minha vida? Sabe qual é o problema de pessoas que, assim como eu, tem tudo muito fácil e o tempo inteiro? A gente nunca dá valor nenhum. A gente acha que dá, mas é ilusão. É muito diferente valorizar do que isso que nós fazemos. Pois é muito circunstancial: dar valor quando tem medo de perder ou quando se safou de uma queda por detalhes. Depois, esquecer.

Por baixo dessas palavras, fica meu pedido de socorro. Não desistam de mim, pessoas da minha estima. Eu talvez seja um caso perdido, mas vou me segurando nas beiras para não despencar. É o apoio que encontro naqueles que me rodeiam que fazem com que eu me mantenha de pé. Sempre achei que apesar de tudo, eu me dava bem no final. Agora a história começa a mudar, dar ares de tragédia. O roteirista deve ter mudado e ele não é muito apegado em egocêntricos personagens principais. E o pior é saber que quem me derruba, sou eu mesmo. Quem está por trás do meu fracasso, me sabotando, me deixando em situações insustentáveis, é o cara que eu vejo no espelho. É duro ser eu pois eu não faço a menor ideia de quantas personalidades estão escondidas aqui dentro.

O fato é que sem vocês, pessoas da minha vida, eu não sou ninguém. Tirando-os de mim, eu certamente não aguentaria viver por muito tempo. Eu desenvolvi uma dependência de rodinhas para minha bicicleta, uma necessidade absurda de colete salva-vidas para conseguir nadar. Sem isso, eu caio. Sem isso, eu me afogo.

Preciso de vocês.

 

Paulinho Rahs

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