A única maneira de se conseguir viver em paz, de ser amigo da felicidade, de não deixar a chama do amor apagar e tampouco desaquecer é ignorando certas coisas. Se fazer de desentendido nem sempre é fácil. Às vezes a burrice alheia irrita, agride nossa vontade de mostrar que os outros estão errados, nos agonia para apontar aquilo que consideramos certo. A ignorância é uma benção, me disseram uma vez. Eis que eles estavam realmente certos. Em certas situações a gente se dá por conta que está enxergando além dos outros. Em outras a gente não se dá, pois simplesmente quem usa a viseira da falta de senso não vai se dar conta nunca. Quem está coberto com a nuvem espessa do desconhecimento da realidade tende a ver defeito em todos, exceto em si e suas próprias atitudes.

Confesso aos amigos que tenho trabalhado muito minha cabeça para dominar essa técnica. Quando se é minoria, é necessário entrar no jogo. Se todos estão errando, que erremos todos juntos. Se estiverem alienados, não tem galho atuar na doidice. Doses de loucura, de insânia, desvairo e desatino. Bebo goles graúdos de cada um desses e me torno um dissimulado se preciso. Atuar, manipular, ter o jogo nas mãos. E por que não? Um dos segredos é nunca mostrar a sua real intenção. Cartas na manga, dados na mesa. O que foi que fizemos com a inocência? Ela simplesmente desapareceu com o tempo e nunca fez muito sentido mesmo.

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Conviver com pessoas de convicções diferentes é tarefa árdua. Conviver por si só é um pé no saco, convenhamos. Pior quando as manias que não reconhecíamos no começo vem a tona. Dai em diante é preferível fugir do que viver assim. Se não há essa escolha, segue o baile. A gente aprende a desaprender, a fingir estupidez. O que se faz quando todos os seus inimigos são amigos? Esse é um acidente bem indecente.

O negócio é seguir vivendo e tendo a grandeza de saber que quem é dono da verdade não é dono de ninguém. Atrás do veneno das palavras sobra só o desespero de ver tudo mudar. Desconfie de quem tem muita certeza em tudo que faz, esses são os melhores idiotas. E eu acabo de escrever isso com tanta certeza que chego a me assustar. A ignorância é mesmo uma benção.

Paulinho Rahs

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