Meus olhos ardem, minha mente parece com dificuldades de esvaziar. Cai a chuva por aqui na selva de pedra com uma delicadeza singular. As luzes dos outdoors atraem minha atenção que logo se dispersa por um vibrar do celular. O que antes me atraía, agora já não me faz a cabeça. É o tempo perdido correndo nas minhas veias gritando por passagem, suplicando uma segunda chance, sufocando-me para não repetir os mesmos erros que já se tornaram pedaços automáticos do meu modo de viver.A juventude é mais brilhante a cada dia que passa. É também menos palpável, é um sonho chegando ao fim. Sou eu no meio do caminho, talvez muito além dele já. Me recusava a aceitar, mas estou aprendendo a viver.
É hora de fazer tudo que não foi feito. Eis que planos já são bobagens infantis que não chegaram sequer a chegar ao papel, imagine sair dele. Agir e ficar em silêncio. Trabalhar por mim e não para os olhos dos outros. Me surpreendo com minha força, contudo parecem não acreditar que estou me dedicando tanto assim. As opiniões e pensamentos alheios apenas envenenam meus desejos. As energias que eu deixo me tocar não cansam de me sabotar. Mas eu? Ah, eu. Eu estou mais do que cansado de ser sabotado. Estou farto, pedindo um basta, envergonhado e revolto por tudo que eu ainda quero e não consegui. Raios! Demônios! Mais um ano, mais uma volta no relógio, mais uma folha no calendário sendo rasgada. Só mais uma, como sempre? Ou então essa pode ser definitiva? Definir, dentro de mim, que desafios serão cumpridos e não mais apenas compridos, arrastados, infindos.
Tantas coisas que me fazem bem e eu parei de fazer todo dia. Tantas coisas que não me trazem nada e ocupam a maior parte da minha vida. Há quanto tempo meus pensamentos não viravam linhas? Há quanto tempo meus desejos não são mais acordes! Eis que olho para cima e encontro a resposta: acordes.
– Acorde! – é o que ecoa na minha mente.
Então que eu acorde. De uma vez por todas.

Paulinho Rahs

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