Obcecado pela admiração dela desde o primeiro momento que a vi.

Desesperado tentando ser visto que nem criança birrenta.

Maluco por atenção que nem cachorro bobão.

Essas frases me definem desde que ela apareceu deslumbrante naquela manhã fria. Essas frases são meu motivo de vergonha, de autoflagelo, de choque com a realidade. Talvez eu não seja, então, tudo isso que vejo no espelho.

Ah, não. Não pode ser, não mesmo.

Talvez eu esteja, então, transparecendo uma figura diferente da que, inflamada dentro de mim, urge na ânsia de se mostrar para o mundo. Eis que isso depende com exclusividade da minha dedicação. Mas será mesmo?

É dureza. Podia ser mais fácil né!? Mais natural, sei lá…

Eu sou apaixonado por ela. Não é de hoje. Se bem que por ela e por qualquer menina com aquela cor de cabelo, de convicção no olhar, de sorriso estonteante. E o pior de tudo é que já aconteceu antes. Se eu acabar conseguindo conquistá-la, logo enjoo. Qualquer hora dessas aparece outra que meus olhos vão pintar como mais interessante, mais contagiante, mais apaixonante. É estressante, isso sim.

Aí vou eu: desabafar embriagado para os amigos, escrever textos subentendendo o que sinto, curtir uma foto emblemática na rede social da próxima vítima.

Mas que complexo de vira-lata!

No fundo é tudo carência de ser importante.

No fundo é apenas mais do mesmo.

Eu sou aquele cachorro que corre atrás de todos os carros que entram na vila. Sempre desesperado, sempre quase chegando. Se o carro inventa de parar, fico assim, com cara de tacho e sem saber o que fazer.

Meu coração vive num círculo vicioso…

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