Linhas tênues. Entre o certo e o errado, o bem e o mal, o correto e o inexato. Quais serão os limites num mundo onde não ninguém é 100% limpo nem 100% sujo? Se me falarem que é o bom-senso, que é saber até onde ir, meu amigo, me perdoe. E se o mais longe que alguém possa ir for muito além do limite do outro?

– Talvez tudo deva ser proibido! – me disse um pensamento solto. Um mundo então sem prazer? Que chatice, me poupe disso. Eu não quero viver em um mundo monótono onde estejamos privados daquelas coisas que nos tiram da realidade tediosa e nos elevam a um outro patamar. Até mesmo porque se proibir, dai sim, cai a casa. Proibir um ser humano é instigá-lo por aquilo. Mais até: induzi-lo a fazer. Para descobrir como é, para sentir-se livre, para mostrar a quem proibiu que ninguém é dono de ninguém ou mesmo só pra contrariar. Coibir não dá lá muitos resultados férteis desde os tempos de Adão e Eva.

Se liberar geral? A gente pira, passa dos limites, se joga no precipício. No começo eu sempre pensava que a sociedade impõe apenas regras sem sentido. Mas se você parar pra pensar, até para uma pessoa super liberal – como eu – é estranho imaginar a anarquia instaurada. As pessoas andando nuas na rua, falando o que pensam sem papas na língua, armadas e super chapadas, se amando aos olhos do mundo sem se importar com nada: tudo ao mesmo tempo. Por mais hipócrita que seja a sociedade, verdade seja dita, dá pra entender muita coisa.

Porém convenhamos: continuar como está, nessa nhaca sem sentido, meio-proibido-meio-liberado, onde o tio dar álcool pra criança “de cantinho” na festinha de família é bonito e fumar maconha no quarto quando a adolescência chega é o fim do mundo. É por aí que deveria ser? Você sabe como anda: pai de família ir na igreja doar 10%, gritar “aleluia” ao senhor, se “purificar” e depois falar mal de meio mundo em casa, a gente acoberta, até fala mal junto. Comprar droga é financiar o tráfico, é ser cúmplice de assassinato, é coisa de marginal. Então por que não educa e mostra as consequência ao invés de ocultar? Esses conceitos retrógrados e assinados por senhores barrigudos bebendo uísque e fumando cigarro com o dinheiro do povo. Te despe de preconceito, de tudo que te empurraram “goela abaixo” na vida e me diz, do fundo do coração, por que razão álcool e tabaco pode enquanto maconha, cocaína e LSD não. Consegue me explicar? Você já teve contato com todas as coisas para ter opinião própria ou vai me aplicar um conceitinho vendido que veio dos teus pais?

Me explica: por que razão é feio para a sociedade ser homossexual e se beijar na rua, mas desviar dinheiro do governo “faz parte da cultura”? Me diz: por que dizem que poligamia é nojento, mas manter um casamento falido pelas aparências é o que todo mundo faz? Certo ou errado são conceitos muito difíceis, eu concordo. Intolerância é o que ferra, me entende? É como uma frase genial que li uma vez: Jesus é muito massa, o que fode é o fã-clube.

A gente segue assim, fazendo muita coisa escondido. Todo mundo tem seus segredos, todo mundo precisa manter uma opinião externa e guardar muita coisa pra si. Você sabe, se abrir completamente para o mundo é pedir pra tomar.

Qual será o limite do prazer?

 

Paulinho Rahs

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