Primeiro de tudo: para ler estas linhas você precisa compreendê-las. Provavelmente a gente sequer se conheça ou talvez sejamos amigos há anos. De um jeito ou de outro saiba que eu tenho passado por coisas que você não faz a menor ideia. Essa sentença faz sentido pra ti? Pois deveria: isso é algo que todos nós temos em comum, o fato de travar diariamente batalhas pessoais que ninguém sabe nada a respeito. Acontece que a maioria das pessoas ignora isso ou pior: vê em diminuir os outros uma forma de reduzir um pouco a própria frustração, muitas vezes – pior ainda – inconscientemente.

Cada um muda o mundo conforme suas ações, veja que perigoso. A maioria das pessoas vive em modo automático, sem se questionar se o que faz e diz é certo ou tem fundamento, se vai ferir e prejudicar com suas filosofias, crenças e pensamentos. Alguém lhes disse o que é o certo e elas compraram isso sem comparar preços. Se todo mundo está errando, essa maioria erra junto para não fugir da normalidade. Te ensinaram que anormal é sinônimo de algo ruim. Você comete as injustiças que a maioria comete, você tem a mania de ver mais os defeitos do que exaltar as virtudes porque mentiram que “o negativo pega mais que o positivo”. Tsc, tsc. Não é por aí. Mas deixe-me voltar ao assunto.

Não faz muito que entrei para a vida adulta. Faz menos ainda que deixei de viver num mundo de ilusão onde eu acreditava que podia fazer tudo ser perfeito. Desde que eu resolvi acreditar nos meus sonhos e botar a cara a tapa no mundo eu tenho levado… Muito tapa! Socos, pontapés; porrada forte mesmo. Pensando bem, deve ser por isso que dizem “dar a cara a tapa”. Se mostrar é pedir pra levar choque, o que mais eu esperava? Bom, de qualquer forma o choque foi maior que eu pensava. No meu utópico mundinho a gentileza imperava. Também pudera: fui criado por pais amorosos, tive amigos a vida toda que também receberam orientações sobre a importância de respeitar, não fazer o mal, ser gentil sempre. Que confusão não me causou quando comecei a ser ofendido, criticado e odiado por absolutamente todos os pontos da minha vida. Até mesmo por ter os pais que tenho, por ter os amigos que sempre tive, por ter a vida que levo, por ser quem sou, por fazer o que faço, por pensar como penso, por agir com base no que acredito. Por tudo. Tudo é motivo pra levar pau. Isso me mergulhou num mar de confusão, me deixou estranho, triste, quase que me mudou por completo. Eu não precisei fazer muita coisa para entender que todo mundo tem uma opinião sobre o que eu faço. Porém, antes de a desordem mental me consumir, passei a usar o artifício mais importante que já me apresentaram: questionar. E a pergunta mais importante a ser feita é: Quem você seria no meu lugar? Eles nunca sabem responder.

No dicionário encontrei que ódio é uma aversão intensa motivada por medo, raiva ou injúria sofrida. Como não ando por aí abrindo a boca pra criticar ninguém (inclusive sendo esse outro fato que já me confundiu muito: se eu sequer os conheço, como eles me odeiam?), a resposta deve estar no medo e na raiva. Me odeiam por ter medo? Me odeiam por ter raiva? Comecei a usar a lógica. Se sentem medo é porque vêem em mim um alerta de perigo, se sentem raiva é porque já estão doentes. Se represento perigo simplesmente por fazer o que faço, se incomodo simplesmente por ser quem sou – sem ter um pingo de intenção de maldade – pode ter certeza: eles queriam ter a minha coragem de me expressar sem medo dos julgamentos, eles queriam ter a minha convicção nos meus sonhos sem medo do fracasso. Eles queriam estar nas ruas, correndo pelo mundo, do jeito que eu faço. Mas é mais fácil ficar escondido atrás de um teclado, trancafiado em casa, criticando quem foi para a luta mostrar seu trabalho sem temor pelo insucesso. Tem uma canção que diz assim: “Quero ficar dar a cara a tapa e fazer o que gosta em vez de ficar na net escrevendo bosta.” Algo mais a declarar?

Superficialmente todos eles sabem quem eu sou, mas eu não faço a menor ideia de quem eles são. Isso já seria explicação suficiente sobre grandeza.

A fundo todos eles pensam que sabem quem eu sou, mas não fazem a menor ideia de quem sou de verdade. Já eu não faço ideia de quem eles são, mas sei exatamente qual a sua verdade: são fracos, medrosos, invejosos, que nunca vão conquistar nada de relevante, vão se acostumar com a mediocridade, vão convencer a si próprios de que não tiveram a oportunidade.

Já eu?

Eu gosto é de ser odiado.

 

Paulinho Rahs

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