(Som para acompanhar: In My Place – Coldplay)

Acabou.

Sabe, ainda vou escrever um livro da nossa história. Ela tem todos os requisitos pra se tornar best-seller, um produto altamente vendável. Tem love-story, idealização, desabamento, reconstrução, esperança e pra acabar, já que está na moda, desfecho inesperado e fim melancólico. Se tudo der certo, mando a tua porcentagem dos lucros em um pacote bonito pelo correio aqui da cidade. Pois entregar pessoalmente está oficialmente fora de cogitação.

Então é isso? Foi esse o fim que o destino nos reservou?

Imaginei inúmeros finais e mesmo que eu viesse agindo por impulso ultimamente, no fundo sabia que a tendência era acabarmos seguindo um pra cada lado da vida. O que eu nunca imaginei foi que chegaria aqui com esse sentimento tão estranho. Ele mistura uma confusa sensação de libertação e pena; e essa piedade não é de mim. Foi como se tudo houvesse começado como um jogo inocente, evoluído quase sem querer para uma disputa ferrenha e terminado com a gente trocando um empate amigável por pura trocação de golpes desleais. E o pior de tudo é que eu sinto como se tivesse vencido o jogo. O que pode estar acontecendo? Uma história que termina assim não pode ter vencedores. Agora fica difícil dizer qualquer coisa, até acho que sinceramente você aguentou coisas muito piores de mim. Quando eu lhe disse: – Chega, é o fim! -, não cheguei a me dar por conta que te libertar de mim significava você seguir em frente em todos os sentidos; inclusive no afetivo. Por isso que quando eu vi você beijar outros lábios na minha frente e quebrar aquela regra silenciosa que havíamos acordado sem precisar dizer nada, me deu uma vontade maluca de gargalhar.

Eu ri de cólera por um fim consumado? Ou eu ri de felicidade por ter exorcizado minha alma?

Afinal, eu fiz mesmo minha escolha e não sinto um pingo de arrependimento. Mas aquela minha parte ted-mosbyana de acreditar que um dia, quem sabe, quiçá, talvez, maybe, as coisas pudessem tomar outro rumo mantinha-se acesa. Até que eu vi o que eu vi: na minha concepção um ato desesperado seu de seguir em frente. Não precisava aquilo, que cena desnecessária. Ou pode ser que a mim era mesmo necessária, afinal foi só aí que me dei por conta de que there is no way back; terminou pra sempre.

Passou o tempo das lamentações, das noites infindas relembrando tudo desde o começo, das projeções sobre um futuro que não vai chegar. Tivemos a nossa chance e tudo está arruinado há muito tempo; os capítulos recentes foram apenas pra agonizar um corpo fadado ao caixão. A morte disso estava implícita desde antes de entrarmos nas nossas histórias recentes; tragédia anunciada por decisões de outros invernos atrás.

E daqui pra frente? Não existe a menor chance, aconteça o que acontecer, de reatarmos os sentimentos de qualquer forma. Você esperou demais, eu decidi ir pra outro lado, você seguiu em frente e eu não fui receptivo com sua forma de tocar as coisas. Não estou reclamando, você está no seu direito. Contudo sentimentos são incontroláveis e não sinto orgulho nenhum em dizer o que vou dizer, só que acontece que essa é a verdade:

Nunca mais, tudo acabou pra sempre.

Esse é o nosso game over.

 

Paulinho Rahs

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