Vez que outra meu coração, assim, sonhador, vai tramando ficções e pregando peças sobre mim e meus dias de vivência. São tantos segredos mal-dormidos e paixões recolhidas que eu tento ignorar… No fundo, na bem da verdade, sou um eterno apaixonado e ninguém tem nada com isso.

As paixões ilusórias que pretendo me referir são nada mais que uma mania minha de estar sempre procurando algo novo. Alguns diriam: “Algo pra se incomodar”. Bom, não que eu esteja insatisfeito com a vida que tenho. Passamos a vida toda procurando uma tal de estabilidade. Mas quem disse que eu quero me estabilizar? Andaram me dizendo que zona de conforto é o maior perigo que o ser humano pode colocar contra si mesmo. Eu concordo. Não desejo estar dentro dela, mas também não posso simplesmente, sem motivo, transformar a minha vida num caos. Valorizo todos amores que tenho comigo – não só de relacionamento – mas da vida, de amigos, de família.

Amores que me vieram e que se manteram. Pessoas que a gente sabe que pode se apoiar. Meu coração viajante, então, responde essa atitude racional batendo cada vez mais forte por coisas perigosas. São as paixões ilusórias que eu tenho de vez em quando; olhos castanhos e negros, cabelos loiros e ruivos, vidas que não são minhas, sonhos que sequer posso viver. Fico me apaixonando por quem eu não posso ter; um sorriso tímido da minha cidade, um rosto perfeito de um seriado que assisto ou uma história antiga que voltou pra assombrar…

São coisas recorrentes e que fico remoendo, passando os dias imaginando o que nunca vai acontecer. O encanto e a perfeição que nunca irão se quebrar, pois a paixão tem disso: é passageira e precisa ser reciclada conforme vamos conhecendo a pessoa. Esse vislumbre de perfeição sobre quem não conhecemos é que dá a graça das viagens dos corações turistas assim como o meu.

É… Pensando melhor, não tô aqui pra me incomodar. Deixa frio, deixa quieto. O que estou sentindo hoje, amanhã muda. Esqueço quem tomou conta dos meus pensamentos agora e sei que outras suposições vão vir mais além. Assim vou entrando de paixonite em paixonite e cada uma vai me encantando de uma forma diferente. Sempre tenho certeza que tudo nunca passa ficção, alma de artista é assim: é pintar um quadro, escrever uma poesia, compor uma canção e deu, passou.

Às vezes eu até penso: “Como é bom amar assim!”, vou amando à distância, mesmo sem poder tocar, ignoro que isso não vai se consolidar e por alguns dias todos os meus sonhos, nas noites em que saio do meu corpo e minha alma vai viajando para encontros astrais, são direcionados a alguém. No outro dia? Vida real. Acordo e deixo a ilusão. Só que viver na realidade não é algo que tenho apreço, o que é normal desconheço.

Não tô interessado em nenhuma teoria, na prática não existem grades pra imaginação. Penso em muitos casos diferentes e mesmo que não vá vivê-los na vida, os vivo em minha mente. E eu não nego pra vocês que tem seu sabor viver essas paixões ilusórias…
Paulinho Rahs

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