Seria engraçado se não fosse triste. As tantas e tantas vezes em que me coloquei contra a parede para tirar conclusões sobre as decisões tomadas foram inúteis. Hoje decidi parar de querer justificar e tentar desesperadamente fundamentar com falsas certezas os caminhos que claramente foram errados. Sim, sei que só cheguei até quem sou hoje através deles. Porém, veja meu ponto com clareza: Eu passei batido por rotas alternativas porque simplesmente não sabia enxergar naquele tempo. Sabe, existem olhos que não veem. Eu não fui capaz de ver através dos muros de achismos. Eu muito achei que estava fazendo tudo certo. Tive segurança absoluta que era por ali que se ia.

Mas e se eu te disser que não sabia nada sobre a vida? Que nós poderiamos ter ficado juntos desde lá? Que faltou a mim sensibilidade pra saber disso?

Perguntas de pegadas que eu deixei. Há um mapa dos meus passos com as escolhas que tomei. Há martírio em cada pedaço de noite que antecede meu sono. Que horinha maldita! Quando não existe ninguém mais pra conversar, nada mais pra ocupar a cabeça – sequer luz! -. É apenas um quarto escuro, eu e meus pensamentos arrependidos. Viver assim é absurdo. É o preço que se paga por ter pensado que é possível ter controle total sobre a vida, o futuro e as pessoas. É preciso muito mais e as coisas ficam mesmo por vezes sem sentido. Viver com muita convicção é coisa pra maluco. E quando nossas ideias mudam, como fica tudo que ficou lá atrás? Passei mais da metade da minha vida sendo desse jeito.

Coração, eu não sabia nada sobre a vida. Hoje posso dizer que sei um pouquinho, mas ainda é muito pouco. A diferença é que quando a gente tem consciência que estamos ao sabor do vento nessa vida louca, vivemos mais e pensamos menos em coisas que são impossíveis mudar.

Paulinho Rahs

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